Fluxo de caixa: direto versus indireto. Qual é a melhor escolha para o seu negócio?

Fluxo de caixa: direto versus indireto. Qual é a melhor escolha para o seu negócio?
Publicado em 28/09/2020 - Atualizado em 28/09/2020 | Planejamento Orçamentário

A saúde financeira deve ser uma prioridade para os gestores de empresas, pois é uma condição imprescindível para sobreviver e crescer frente à concorrência. Neste contexto, a Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) é um dos mais importantes instrumentos de análise financeira de uma empresa moderna. Nela, ficam evidentes as principais alterações ocorridas ao longo de determinado período no caixa e no equivalente de caixa. Esses dados permitem que gestores e decisores identifiquem tendências precocemente e ajam com rapidez quando necessário.

Há dois métodos possíveis de fazer a DFC e cada um tem aplicabilidades e vantagens distintas. A seguir, vamos apresentar uma revisão de cada método, com intuito de ajudar gestores a avaliarem qual deles melhor atende às necessidades do negócio.

Fluxo de caixa direto

O método direto registra pagamentos e recebimentos em caixa, em seus valores brutos, provenientes das atividades operacionais da empresa — venda de serviços e/ou mercadorias, pagamentos a fornecedores e colaboradores, etc. Nessa modalidade, as movimentações financeiras do período são demonstradas considerando como receitas somente os valores que foram efetivamente recebidos e como despesas somente o que foi efetivamente desembolsado. 

O fluxo de caixa direto facilita a atualização diária das informações do caixa e é de fácil compreensão. Mesmo sem conhecimento financeiro e contábil aprofundado, o usuário é capaz de avaliar a solvência da empresa. Isso porque as movimentações seguem uma ordem direta, como se faz com a administração do caixa pessoal.

A principal vantagem é que ele destaca despesas e ganhos seguindo critérios técnicos. Isso significa que cada movimentação financeira será classificada de acordo com o tipo de tarefa realizada. Entre elas, compra de matéria-prima, locação de equipamentos, manutenção, valores recebidos de clientes, e assim por diante.

Esse método pode ter aplicação limitada para fins de projeção ou de estratégia. Por ser um controle de tesouraria, ele leva em conta somente o que já foi efetivamente pago e recebido e não o que está previsto para o futuro.

Fluxo de caixa indireto

O método de fluxo de caixa indireto consiste na demonstração dos recursos obtidos das atividades operacionais seguindo critérios fiscais. Ele é obtido a partir do lucro líquido e ajustado pela depreciação, amortização, exaustão e demais itens que afetam o resultado da empresa, mas que não modificam o caixa.

Por usar informações da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) e do Balanço Patrimonial (BP), também é chamado de “método de conciliação”. Essa modalidade explora o regime de competências: o registro contábil da movimentação financeira é feito no dia e mês em que houve a transação, independentemente da data em que o recebimento ou pagamento de fato ocorreu.

A vantagem do emprego do fluxo de caixa indireto, além do custo menor, é a obtenção de informações estratégicas. Por exemplo, a partir dele é possível diagnosticar o impacto das diretrizes de concessão de prazos de pagamento a clientes sobre o caixa operacional ao longo de certo período de tempo. Ou ainda, fazer uma análise combinada entre o resultado bruto, operacional e líquido e entre geração bruta, operacional e líquida de caixa.

O que deve ser ponderado?

A principal diferença entre o fluxo de caixa direto e o fluxo de caixa indireto é que o primeiro se trata de um controle detalhado dos valores brutos de entradas e saídas já realizadas e representa o caixa líquido da empresa. Já o segundo demonstra as diferenças entre o caixa real (valores que de fato constam no caixa da empresa no momento) e o saldo das demonstrações contábeis (a projeção de recebimentos e pagamentos).

Os dois métodos são importantes e não haverá, necessariamente, a exigência de optar por um ou por outro. Na verdade, é importante ponderar o plano de negócios da empresa. Deve ser considerado, por exemplo, qual horizonte mínimo de tempo é necessário ter projetado para garantir o bom funcionamento das operações. Ou então, se há intenção de atrair investidores ou prestar contas a acionistas internacionais. Nesse caso, as práticas contábeis da empresa precisam ser compatíveis com as práticas internacionais. Também é importante observar o ambiente regulatório, já que as regras para apresentação do DFC dependem do patrimônio líquido da empresa e o estilo de gestão de quem toma as decisões.

A premissa para obter sucesso, em ambos métodos, é baseá-los em informações corretas e altamente confiáveis. Se o processo é feito manualmente e os controles são registrados em planilhas, a probabilidade de haver números errados é grande. Antes de escolher o método ideal para a sua empresa ou de mudar o método em uso, considere investir em um software para gestão e controle financeiro. Dessa forma, garante-se que os números obtidos representam fielmente o seu negócio, independentemente do método de fluxo de caixa adotado.

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