Fluxo de caixa: direto versus indireto. Qual é a melhor escolha para o seu negócio?

Fluxo de caixa: direto versus indireto. Qual é a melhor escolha para o seu negócio?
Publicado em 28/09/2020 - Atualizado em 05/05/2021 | Planejamento Orçamentário

A saúde financeira deve ser uma prioridade para os gestores de empresas, pois é uma condição imprescindível para sobreviver e crescer frente à concorrência. 

Neste contexto, a Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) é um dos mais importantes instrumentos de análise orçamentária de uma empresa. Nela, ficam evidentes as principais alterações ocorridas ao longo de determinado período no caixa e no seu equivalente. 

Esses dados permitem que gestores e decisores identifiquem tendências precocemente e ajam com rapidez quando necessário, além de apontar a capacidade que a empresa terá para arcar com suas despesas.

Há dois métodos possíveis de fazer a DFC e cada um tem aplicabilidades e vantagens distintas. A seguir, vamos apresentar a importância do fluxo de caixa e uma revisão de cada método, com intuito de ajudar gestores a avaliarem os benefícios que eles apresentam para melhor atender às necessidades do negócio.

 

Por que utilizar o fluxo de caixa na gestão?

A importância mais básica para a gestão é acompanhar as entradas e saídas de capital ao longo de certo período, isso ajuda o gestor a planejar futuros investimentos ou empréstimos, pois visualiza se o caixa tem condições de assumir mais despesas.

Além disso, é possível encontrar custos que podem ser reduzidos sem que a qualidade dos serviços e produtos seja comprometida e sem prejudicar a geração de lucro da empresa.

Por fim, a DFC traz de maneira mais clara a capacidade que a instituição tem de cumprir com suas despesas e pode mostrar tendências do caixa que, no futuro, trarão consequências para a gestão, assim é possível se antecipar e já tomar as devidas providências para não ser pego de surpresa.

Tudo isso é de grande valia para que a gestão orçamentária esteja alinhada com os objetivos gerais da empresa, além de trazer mais segurança para acionistas e possíveis investidores, que já conseguem visualizar a situação real da instituição.

 

Fluxo de caixa direto

O método direto registra pagamentos e recebimentos em caixa, em seus valores brutos, provenientes das atividades operacionais da empresa — venda de serviços e/ou mercadorias, pagamentos a fornecedores e colaboradores etc. 

Sua projeção é realizada de acordo com a DRE planejada, utilizando condições financeiras. Nessa modalidade, as movimentações financeiras do período são demonstradas considerando como receitas somente os valores que foram efetivamente recebidos e como despesas somente o que foi efetivamente desembolsado. 

O fluxo de caixa direto facilita a atualização diária das informações do caixa e é de fácil compreensão. Mesmo sem conhecimento financeiro e contábil aprofundado, o usuário é capaz de avaliar a solvência da empresa. Isso porque as movimentações seguem uma ordem direta, como se faz com a administração do caixa pessoal.

A principal vantagem é que ele destaca despesas e ganhos seguindo critérios técnicos. Isso significa que cada movimentação financeira será classificada de acordo com o tipo de tarefa realizada, como compra de matéria-prima, locação de equipamentos, manutenção, valores recebidos de clientes, pagamento de salários e assim por diante.

Esse método pode ter aplicação limitada para fins de projeção ou de estratégia. Por ser um controle de tesouraria, ele leva em conta somente o que já foi efetivamente pago e recebido e não o que está previsto para o futuro, mas é importante para acompanhamento da movimentação do capital no cotidiano.

 

Fluxo de caixa indireto

Já o método de fluxo de caixa indireto consiste na demonstração dos recursos obtidos das atividades operacionais, seguindo critérios fiscais. Ele é obtido a partir do lucro líquido e ajustado pela depreciação, amortização, exaustão e demais itens que afetam o resultado da empresa, mas que não modificam o caixa diretamente.

Por usar informações da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) e do Balanço Patrimonial (BP), também é chamado de “método de conciliação”. Essa modalidade explora o regime de competências: o registro contábil da movimentação financeira é feito no dia e mês em que houve a transação, independentemente da data em que o recebimento ou pagamento de fato ocorreu.

A vantagem do emprego do fluxo de caixa indireto, além do custo menor, é a obtenção de informações estratégicas. Por exemplo, a partir dele é possível diagnosticar o impacto das diretrizes de concessão de prazos de pagamento a clientes sobre o caixa operacional ao longo de certo período, bem como financiamentos e vencimentos de fornecedores afetam as finanças.

Ou ainda, fazer uma análise combinada entre o resultado bruto, operacional e líquido e entre geração bruta, operacional e líquida de caixa.

 

O que deve ser ponderado?

A principal diferença entre o fluxo de caixa direto e o fluxo de caixa indireto é que o primeiro se trata de um controle detalhado dos valores brutos de entradas e saídas já realizadas e representa o caixa líquido da empresa. 

Já o segundo demonstra as diferenças entre o caixa real (valores que de fato constam no caixa da empresa no momento) e o saldo das demonstrações contábeis (a projeção de recebimentos e pagamentos).

Os dois métodos são importantes e não haverá, necessariamente, a exigência de optar por um ou por outro. Na verdade, é importante ponderar o plano de negócios da empresa. Deve ser considerado, por exemplo, qual horizonte mínimo de tempo é necessário ter projetado para garantir o bom funcionamento das operações. 

E também se há intenção de atrair investidores ou prestar contas à acionistas internacionais. Nesse caso, as práticas contábeis da empresa precisam ser compatíveis com as práticas internacionais. 

Por fim, é importante observar o ambiente regulatório, já que as regras para apresentação do DFC dependem do patrimônio líquido da empresa e o estilo de gestão de quem toma as decisões. Isto porque a lei 11638/07 prevê a obrigatoriedade da DFC para empresas de capital aberto e fechado com lucro líquido até a data do balanço patrimonial acima de dois milhões de reais.

A premissa para obter sucesso, em ambos os métodos, é baseá-los em informações corretas e altamente confiáveis. Se o processo é feito manualmente e os controles são registrados em planilhas, a probabilidade de haver números errados é grande. 

Antes de escolher o método ideal para a sua empresa ou de mudar o método em uso, considere investir em um software para gestão e controle financeiro. Dessa forma, garante-se que os números obtidos representam fielmente o seu negócio, independentemente do método de fluxo de caixa adotado.

Outra vantagem em utilizar um software de gestão é a agilidade com que o processo é feito, garantindo que os gestores tenham mais tempo para realizar análises dos resultados e relatórios, investindo em estratégias para manutenção e crescimento da empresa.

Estes softwares apesentam outras funcionalidades além do fluxo de caixa, como projeção da folha de pagamento, relatórios e dashboards customizados, além de metodologias para o planejamento estratégico da empresa e acompanhamento da performance em tempo real. Tudo para que sua gestão seja ainda mais completa e eficiente.

 

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