O papel dos CFOs na gestão de crise e os desafios para 2021

O papel dos CFOs na gestão de crise e os desafios para 2021
Publicado em 22/12/2020 - Atualizado em 14/04/2021 | Planejamento Orçamentário

De acordo com uma pesquisa feita com 325 chefes de finanças pela FTI Consulting, 2020 será lembrado como um ano marcado por grandes desafios, mas também pela resiliência e mudanças aceleradas. Também segundo a consultoria, "os CFOs e líderes financeiros demonstraram mais determinação e liderança estratégica do que nunca”.  

E de fato em 2020 nos deparamos com uma situação atípica e desafiadora ocasionada em razão da Covid-19. O cenário pandêmico, então, colocou a operação dos negócios em risco, sem contar a ameaça constante de prejuízos financeiros. 

Diante da inconstância do mercado e da economia, os CFOs, diretores financeiros e pessoas de outros cargos superiores da área de finanças tomaram frente e garantiram posições de destaque, sobretudo quando falamos em planejamento estratégico e gerenciamento de crises.  

 

Como os executivos precisaram se adaptar

Dentre as principais características desses profissionais, podemos destacar a capacidade de análise para ajudar na criação de soluções rápidas e menos drásticas, contribuindo sobretudo para direcionar a empresa ao caminho do crescimento. Nesse sentido, os CFOs estratégicos demonstraram capacidade de fornecer modelos de previsão com base em diferentes cenários, ainda segundo o levantamento da FTI. 

Dessa forma, realizaram ajustes para tomar decisões mais assertivas e assim começaram a conduzir as empresas ao caminho de recuperação. Em outras palavras, esses profissionais mostraram às empresas os caminhos para adaptar, transformar e sustentar o desempenho daqui para frente. 

Este pensamento colocou diversas empresas em um patamar maior de preparo para que houvesse transformações e adaptações sem prejuízos alarmantes. Foi o caso do Olist, por exemplo, que cresceu em meio à pandemia e está com planejamento para 2021 melhor do que previa um ano atrás. E isso ocorreu, principalmente, pela estratégia de um time ágil e resiliente da área financeira da empresa. 

O fato é que 2020 trouxe também uma mudança de prioridade. Antes, a gestão orçamentária girava em torno de reduzir gastos ao mesmo tempo em que visava expansão no mercado. Agora, o objetivo maior é trabalhar para que os investimentos sejam feitos nos lugares certos para, assim, recuperar a receita perdida em 2020.  

  

Novas tecnologias ganham mais relevância  

Um dos motivos do sucesso da liderança estratégica dos CFOs na gestão de crises é a conexão com a tecnologia e automação. Combinados, os dois fatores tornaram algumas operações mais automáticas, rápidas e simples. Assim, possibilitaram utilizar a base de dados para planejar e atingir resultados mais precisos.    

Todavia, embora a maioria dos diretores financeiros tenha começado a adotar a automação, a pesquisa da FTI sugere que esse processo ainda não atingiu todo o seu potencial na maioria das organizações. E, mais do que nunca, vimos que mudanças drásticas podem acontecer rapidamente. Da mesma forma, nem sempre elaborar e acompanhar cenários diferentes é uma tarefa fácil, principalmente quando o planejamento orçamentário é feito com planilhas eletrônicas.  

 

Desafios para superar em 2021   

Conforme outra pesquisa, dessa vez realizada pela consultoria Falconi com 50 companhias, os gestores financeiros já preparam uma mudança estratégica para 2021. Entre as principais ações para monitorar a execução dos planos de negócio, 39% disseram que vão controlar mensalmente os níveis de operação, avaliando os impactos das oscilações no mercado. 

Além disso, 25% farão revisões periódicas do orçamento e 20% vão trabalhar com projeções para diferentes cenários. Por outro lado, 16% afirmaram que cumprirão o orçamento base, independentemente das variações da economia.   

Ainda segundo este mesmo levantamento, estima-se que 43% das empresas vão sofrer algum impacto negativo no tamanho das operações. A mesma previsão já havia sido feita em maio, no início da pandemia, pela Deloitte. Esta pesquisa consultou 166 diretores financeiros nos Estados Unidos e, na época, mais de 60% desses profissionais disseram que não esperam que as operações voltem ao normal logo após o fim da pandemia.   

Os maiores desafios, então, estão na retomada da receita nos níveis pré-pandemia, com um grande caminho pela frente, uma agenda de transformação digital e o aumento da produtividade dos colaboradores. Então, os executivos passarão um bom tempo identificando os pontos que podem ajudar na recuperação da receita e na retomada do nível normal de operações. Porém, sem esperar que isso ocorra da noite para o dia. 

Leia o artigo Planejamento 2021: foco na retomada do crescimento e confira cinco passos que devem ser levados em consideração na hora de realizar o planejamento empresarial para os próximos 12 meses.

 

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